STF nega pedido de liberdade do deputado Thiago Rangel após descoberta de intimidação
22/06/2026
(Foto: Reprodução) STF nega pedido de liberdade do deputado Thiago Rangel após descoberta de intimidação
O Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido de liberdade do deputado Thiago Rangel (Avante), preso desde maio por suspeita de desvios na Educação do estado.
O STF manteve a prisão depois que a Polícia Federal (PF) descobriu mensagens de intimidação enviadas pelo político à nova secretária de Educação. Conversas obtidas pela investigação mostram outros episódios de planejamento de ataques a desavenças políticas.
O parlamentar do Avante foi preso no começo de maio suspeito de chefiar um esquema de desvios na Secretaria Estadual de Educação.
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O deputado Thiago Rangel foi preso pela PF
Divulgação
De acordo com a PF, obras em escolas nas regiões sob influência do deputado eram direcionadas para empresas ligadas ao grupo criminoso.
O escândalo das reformas sob suspeita de superfaturamento, num sistema sem transparência que gastou mais de R$ 1 bilhão, foi revelado pelo RJ2 ainda no começo do ano.
Logo depois, o governo mudou a cúpula da secretaria. Saiu a secretária Roberta Barreto e entrou como titular da pasta Luciana Calaça.
A nova secretária foi procurada por Thiago Rangel pouco tempo depois de assumir o cargo. A PF descobriu que, na véspera de ser preso, o deputado mandou mensagens para ela.
De acordo com a investigação, ele fez cobranças em tom de ameaça depois de uma série de demissões na secretaria.
Thiago Rangel escreveu: "Boa tarde, secretária. A indicação do Noroeste partiu do deputado Jair Bittencourt. Só estou passando para lhe dizer que, além da falta de respeito, isso não vai ficar assim. Desculpe o desabafo, mas quem fez errou muito".
De acordo com a investigação, ele se referia à perda de cargos nas diretorias regionais de educação do Norte e Noroeste.
A secretária Luciana Calaça manteve as mudanças e prestou depoimento à PF para informar sobre as mensagens.
Em áudios obtidos pela investigação, Thiago Rangel dava ordens à então diretora regional do Noroeste, Jucia Gomes de Souza Figueiredo, que também está presa.
“Tudo que acontecer dentro da regional eu quero saber. Eu não tenho que dar satisfação a ninguém. O deputado sou eu. A indicação é minha e quem manda sou eu.”
Conversas mostram também como o grupo agia diante de desavenças.
Quando Thiago Rangel ainda era vereador em Campos, em 2021, seu assessor e braço direito Fábio Azevedo enviou a ele uma publicação numa rede social, que tinha críticas à atuação parlamentar.
Rangel disse: "Vou dar um jeito nele. Onde ele mora? Me arruma o endereço, vou mandar uma surpresa".
Fábio respondeu por áudio que iria dar um jeito de descobrir. O parlamentar disse: “Depois de 12 tiros no portão, o recado está dado.”
Em outro diálogo por áudios obtidos pela investigação, os dois arquitetam um ataque a alguém que estava desagradando o grupo.
Fábio Pourbaix Azevedo: Rapaz, eu já sei como que a gente vai resolver o problema. vamos esquematizar, entendeu? Um bote. Ninguém vai matar ele, fazer nada. Ele vai tomar um bote e esse bote, o moleque vai bater na cara dele, vai dar tiro no carro dele, o c*. E aí ele vai ter que pedir pra sair.
Thiago Rangel: Beleza, vamo arquitetar, orquestrar tudo aí, porque esse cara aí... tá impossível suportar ele, cara, e eu não vou procurar ele não, cara. Arrebentar esse filho da p*.
Intimada a se manifestar sobre o pedido de liberdade de Thiago Rangel, a procuradoria-geral da República afirmou que a gravidade dos delitos e os perigos de continuidade dos crimes e de obstáculo ao processo são motivos suficientes para justificar a manutenção da medida cautelar extrema, ou seja, a prisão.
O entendimento foi o mesmo do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que foi seguido pelos outros ministros da primeira turma, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Carmen Lúcia.
O que diz Thiago Rangel
A defesa de Thiago Rangel disse que a mensagem está isolada de contexto e foi interpretada de forma forçada e que não contém — nem explícita, nem veladamente — qualquer ameaça à pessoa, à integridade ou à segurança de quem quer que seja.
Segundo a defesa, o caráter da conversa foi exclusivamente político. O deputado manifestava inconformismo por não ter sido consultado sobre uma nomeação em sua área de atuação parlamentar.
De acordo com a defesa, foi um desabafo e é absurdo pretender extrair qualquer ameaça a alguém. A defesa disse ainda que Thiago Rangel é inocente e que tudo será devidamente esclarecido nos autos do processo.
Jair Bittencourt se pronunciou com a seguinte nota:
"O deputado estadual Jair Bittencourt afirma ter total desconhecimento sobre as mensagens e nega categoricamente ter feito qualquer indicação política para as diretorias regionais. O parlamentar destaca que as próprias investigações comprovam que ele não tem qualquer relação com o caso. Bittencourt reforça sua confiança na apuração conduzida pelas autoridades e lamenta a postura do deputado citado, ressaltando que a conduta do mesmo já é amplamente conhecida."
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